Minha astronomiaé pegar a tua mão
e observar
a dançante
constelação
girando
na imensa noite
dos teus olhos
Minha astronomia
em meio ao mar concreto
anil da mais alta vidraça
reflete a insolente mistura
branca e acre do banco de areia
no pulso um olhar perplexo
contando horas esvaídas
pés lépidos espalham brancura
fina de grãos esparsos de areia
a barra da sarja avante carrega
do saibro a silica escondida
fase prima do banco de areia
e tanta poeira dali removida
com grãos mais de fina finura
reflete no céu o pó que permeia
a vida fincada num banco de areia

Havia uma flor em sua mão Seu olhar ainda refletia
uma queixa antiga e esparramada
e pousou detidamente
naquela mancha de mostarda.
Ela interrompia uma listra
da minha camisa col à l'italienne.
quando você esmagava
sua metade de pão
durante o beijo faminto.
* Pintura: Sigmar Polke, Measuring Clothes (1994)
Mal.
Começam os atos assim.
Mil triunfos
trituram ratos,
brinca a ciência natural.
Imprevistos triunfam
em mil tragédias
cada uma oferece
duzentos mil sacrifícios.
Esquisito haver esperança
misto à inquietação.
Observam através do orifício dessa última porta.
Quem alcançou a saída para nos ver?