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sábado, 2 de junho de 2007

O poema que escrevo

por Silvio Lourenço em 2/6/2007

O poema que escrevo
escrevi
porque a máquina do mundo eu vi

O poema que escrevo
vou escrevendo
porque belo belo estou lendo

O poema que escrevo
escrevo primeiro
sobre a atual vergonha de ser brasileiro

O poema que escrevo
escrevo na terra
aos senhores da ocasião e da guerra

O poema que escrevo
é escrita morta
que inveja certa pronúncia torta

O poema que escrevo
quem escreve? um caramujo
que reescreve o poema sujo

O poema que escrevo
escrevia
chega de poesia!

O poema que escrevo
não o escrevi muito bom
por isso é meu, e não de Drummond

O poema que escrevo
não o escrevi de primeira
sempre consulto alguns de Bandeira

O poema que escrevo
não o escrevi sepultando uma semana
muito menos um século, como fez Sant’Anna

O poema que escrevo
não o escrevi só por desejar
um dia escrever como escreve Nejar
ou como Carpinejar
ou, talvez, Ferreira Gullar
como Augusto de Campos nem cheguei a pensar

O poema que escrevo
escrevi agradecido
a todo poeta famoso ou mesmo desconhecido

sábado, 21 de abril de 2007

A difícil arte de continuar




“Dança”


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Este vídeo de "Dança", composição de Chico César, originalmente no álbum Mama Mundi (1999), é gravação de sua participação especial em show de Badi Assad, paulista de São João da Boa Vista e uma das estrelas da MPB na atualidade, assim como o paraibano.


Badi Assad, como interpréte, transita com enorme competência pela diversidade de estilos da música brasileira, somando a suas performances seu gosto e influências que absorveu do jazz e dos blues.

Chico César é um grande compositor. Músicas como as recentes "Moer cana" e "1 valsa pra 3" calam com seus versos e melodia tristes da solidão. Voltando a uma das que mais sucesso tem feito, "Pensar em Você", de metro fácil e referindo-se a saudade e desejo que contornam a solidão, traduz o que são os pensamentos que suprem a ausência de alguém.

A solidão é um enfrentamento do ser exilado pelas diferenças no mundo, que o compositor também sabe contemplar como em "Dança".

Desse enfrentamento se é levado a buscar as identidades que nos configuram. Daí a força reivindicatória de suas canções que buscam em África, Amazônia, Agreste e no planeta todo ("Mundo") suas raízes alternativas àquilo que parecemos ser. "Aquidauana", "Mama África" e interpretações carregadas de sentimento em clássicos como "Cálice" (Gilberto Gil/Chico Buarque) se entrelaçam nessa imensa e diversa busca.

Podemos dizer que há uma poética (lançou recentemente Cantáteis, primeiro livro de poemas e projeto a ser musicado) que forma uma geografia do sentimento. Geografia na amplitude social e cultural que o termo exige, pois não há descrição euclidiana da terra, mas uma terra que nasce no anteparo do olhar reivindicatório de seu povo, seja índio, nordestino ou afro.

A difícil arte de continuar é um atributo presente em Chico César e Badi Assad (sobre quem trataremos mais a frente) no sentido que eles se inserem numa tradição rica e que não é nova, e que parecia esgotada. As canções de amor de Chico César não são "caretice ou romantismo brega", pois que ele é um dos poucos que puxou a corda precisa do melhor de nossa música em um momento que esse elemento estava frouxo. A tensão que ele empregou ajudou muitos novos e reais talentos e colabora para o bom momento que atravessa a MPB.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Futebol Arte

Para mim, o futebol é um grande prazer, sobretudo quando bem jogado. Também tem sido motivo de declarações de alguns escritores. Carlos Drummond de Andrade registrou sua opinião a respeito de Pelé, e outros menos famosos ou mesmo anônimos podem arriscar alguma opinião.
Registro que meu colega Zé Lima me honrou publicando "Gol de falta" em seu já famoso blog. Se alguém quiser ver um gol genial de Ronaldinho Gaúcho, acompanhado de um poema que escrevi no fim do ano passado a respeito, clique e veja na seção golaço.