Epígrafe Provisória

"Quanto mais a moda é feia, mais o povo acha bonito" - Juraildes da Cruz

Sons de sim – "Enfeites de cabocla"

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Limpeza

foi ontem de tardinha
e que boa tinta tinha
no sangue dos humanos

a descoberta desse nó
deu se quando Carijó
foi coberto pelos panos

tombou um prócer de facção
frente a venda de Zé João
e à terra tornou o pó

eram dezoito e trinta
no chão havia a tinta
extraída do Carijó

que a vida teve exangue
mas não tendo bom sangue
quem houve que o sinta?

à bala feito o serviço
tudo ficara por isso:
antiga vingança de gangue

bateram foto, relatório
polícia deitou falatório
o corpo virara enguiço

"Limpe a rubra mancha
que só não se desmancha
e as puta vêm pro velório"

Um cão chega mansinho
não do trafica, do vizinho
lambe a infame passagem

desse impregnado chão
da esquina de Zé João
e vai manchando o focinho

de Carijó restou o cheiro
de seu sangue e um cruzeiro
que a polícia não levou

nem cachorro, nem Zé João
nem polícia, só podridão
foi o que, no fim, restou








sábado, 13 de setembro de 2008

banco de areia

em meio ao mar concreto

anil da mais alta vidraça

reflete a insolente mistura

branca e acre do banco de areia


no pulso um olhar perplexo

contando horas esvaídas

pés lépidos espalham brancura

fina de grãos esparsos de areia


a barra da sarja avante carrega

do saibro a silica escondida

fase prima do banco de areia


e tanta poeira dali removida

com grãos mais de fina finura

reflete no céu o pó que permeia


a vida fincada num banco de areia