Você escutou isso?
Sim, está patenteado.
Todos os direitos são
exclusivos.
Já tinham pedido usucapião.
Coitado, nem deixaram que se manifestasse
seu tamanho desapontamento,
pois quem devia
dele ser instrumento
se vê dono e seu patrão.
O contrato? São muitos, muitos mesmo.
Na verdade, foi sequestro.
De resto, para o mínimo benefício
nos exigem sacrifício.
O dízimo só concede
a regalia de pedir.
Para obter, tem que multiplicar
a fé pelo ofertório.
Nada vira pão, mas,
na conta do bispo, já é mais de milhão.
que só não é mais
que a condenação
de humanistas ateus liberais.
Para esses,
o caldo de satanás.
Amarrado, DEUS©
não pode agir
além do limite estreitado.
Antes palavra,
hoje vive amordaçado,
não obstante
lhe queiram e empenhem tanta atenção.
No livro ele se fazia mais sagaz,
mas tem caído em cada armadilha...
Nem parece o mesmo desbocado
a desclassificar a gente mesquinha.
Hoje ele fala muito em dinheiro.
E de dinheiro travava rinha homérica,
mas para desfazer, não para juntar.
Até o aprendiz com o mestre
viram os príncipes tudo deixarem
na soleira do sétimo círculo.
Se nem o inferno tolera o ouro,
por que vale tanto pro céu?
De fato, é apenas papel,
ou nem isso.
"Doai seus bens materiais,
assim tereis sempre mais!".
Bem se vê na Mercedez,
no apartamento bacana
e nos restaurantes grã-finos
onde os filhos do bispo
jantam toda a semana
o pedaço mais sangrento
das minhas dívidas plurianuais.
DEUS© gosta de violência
se especializou em atacar
as [in]consciências frágeis,
no entanto imodestas,
a ponto de dizerem que,
parcial, até gol marca
nas pelejas de futebol.
Ele ou um dos seus donos
fanaticamente sem graça
pelo favor dEle e preferência injustificada.
A graça, é que DEUS© era um capone:
forneceu bebida a quem desanimava da festa.
Hoje não dança mais nem música pode ele ouvir.
Porque os mantras dos seus orfeões
não alcançam tal dignidade.
Como se domesticou!
Como no Circo da Fé,
repete graças ao
publiquete dominical,
revelando aos cegos
sua míope visão
da tendência Universal.
Agora, DEUS©, pela voragem atual,
escarnecido e destituído de sua antiga majestade,
cultua o bicho humano e idolatra
a bisparada selvagem.
Epígrafe Provisória
"Quanto mais a moda é feia, mais o povo acha bonito" - Juraildes da Cruz
Sons de sim – "Enfeites de cabocla"
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009
sexta-feira, 11 de maio de 2007
"Heil papa!"

Na tarde de ontem, o cardeal Ratzinger, hoje papa Bento 16, pode ter se lembrado de sua infância em Trunstein. Foi nesse recanto que ele tomou parte da Juventude de Adolf Hitler, grupos de crianças e adolescentes que eram "formados" para prestar apoio ao governo nazista.
Trocando-se algumas palavras, "formados" pode ser substituída por "catequizados" e "doutrinados", enquanto "prestar apoio", com um pouco mais de tolerância, podem ser substituídas por "acolitar", designação própria de quem presta serviço religioso.
O poder papal, tal como o poder – e não a autoridade, fundada em outras bases – totalitário, fundamenta-se na ameaça de uma sanção, que comina apenas contra quem viola uma lei. Se Hitler, pela força do estado e exército nazista, coagia os seus séquitos a perseguir, prender, maltratar e assassinar uma enorme massa de inocentes, em seguimento da doutrina ariana, o papa igualmente mantém uma cada vez menor e menos substantiva plêiade de fiéis defendendo renitentes e de forma cada vez mais estereotipada ensinos que para nada mais servem senão para evidenciar a irrelevância das ideologias defendidas pelo grupo majoritário do catolicismo.
Por certo, existe nos arraiais do catolicismo pessoas com posicionamentos mais moderados e que sabem dialogar de modo mais produtivo com os demais segmentos da sociedade, entretanto constituem um grupo menos substantivo ainda e sistematicamente silenciado pelo alto prelado, desde o tempo em que Ratzinger era prefeito da Congregação para Doutrina da Fé – em épocas medievais a Inquisição do Santo Ofício – e condenou, por exemplo, Leonardo Boff ao silêncio obsequioso (proibição de divulgar suas idéias, em especial as contidas no seu principal escrito Igreja, carisma e poder). Hoje em dia é Jon Sobrino que sofre uma punição até mais severa do que a imposta a Boff.
A igreja é um meio asfixiante e castrador para quem propõe-se a verbalizar, de modo menos dogmático e mais próximo dos anseios do povo, uma teologia capaz de atualizar princípios libertadores contidos nos evangelhos. O esforço, feito pelo alto clero, em decepar os movimentos mais engajados socialmente dentro da igreja fazem com que a massa alienada e alienante comporte-se exatamente como se tem portado a multidão dos centenas de milhares de acólitos de Bento 16 nas terras tupiniquins.
Impregnando suas ações de medo e conservadorismo dogmático, tentando converter a 5ª Celam (Conferência Episcopal Latino-Americana) – que já foi um marco do pensamento social da igreja, quando o papa Paulo 6°, o primeiro a visitar a América Latina, abriu a 2ª Celam (Medellín) em 24 de agosto de 1968 – em um fórum limitado a repisar o discurso hipócrito-moralista do ideário segregacionista do clero (que mantém impedidos da eucaristia os que se divorciam, condena a adoção de ações contraceptivas e busca limitar dentro do âmbito da moral católica políticas educacionais e de saúde que há muito tempo já deveriam ter sido assumidas pelo Estado), Bento 16 estará próximo de liderar um grupo que, mesmo sendo numericamente significativo, não terá nada mais a oferecer a sociedade do que uma imagem de tietagem estereotipada, com berros de "Olê, olê, olê! Bento, Bento!". Ou como sugere a foto acima, captada no encontro com a Juventude Católica, "Heil papa!".
Ora, se os conferentes do 5° Celam da mesma maneira procederem, nodoarão a história de lutas e de posicionamentos equilibrados que até aqui marcaram a conferência e se conspurcarão também. Há certos momentos em que se exige, mesmo sob ameaça, que de nenhum modo se faça silêncio.
* A foto acima foi retirada do Destak SP, edição 203, de 11/5/2007, com crédito de Vidal Cavalcante/Agência Estado.
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