Epígrafe Provisória

"Quanto mais a moda é feia, mais o povo acha bonito" - Juraildes da Cruz

Sons de sim – "Enfeites de cabocla"

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Limpeza

foi ontem de tardinha
e que boa tinta tinha
no sangue dos humanos

a descoberta desse nó
deu se quando Carijó
foi coberto pelos panos

tombou um prócer de facção
frente a venda de Zé João
e à terra tornou o pó

eram dezoito e trinta
no chão havia a tinta
extraída do Carijó

que a vida teve exangue
mas não tendo bom sangue
quem houve que o sinta?

à bala feito o serviço
tudo ficara por isso:
antiga vingança de gangue

bateram foto, relatório
polícia deitou falatório
o corpo virara enguiço

"Limpe a rubra mancha
que só não se desmancha
e as puta vêm pro velório"

Um cão chega mansinho
não do trafica, do vizinho
lambe a infame passagem

desse impregnado chão
da esquina de Zé João
e vai manchando o focinho

de Carijó restou o cheiro
de seu sangue e um cruzeiro
que a polícia não levou

nem cachorro, nem Zé João
nem polícia, só podridão
foi o que, no fim, restou








terça-feira, 10 de julho de 2007

Fim dos Imperadores

por Silvio Lourenço, 10/7/2007.

Divirto-me
e possuo mais rituais e informação
que imperadores de 1914.

Nicolai, adeus ao diário.

Atravessei em poucas semanas
mares de Bonaparte.
Três vezes mais, Napoleão.

Agora, já tomaram a bastilha.

Apertando um só botão
dou ordens a uma gueixa no oriente.
Nenhum oceano me detém.

Akira deixaria Hiroshima em 1944. Ficou.

Por que não se celebra
as divindades modernas?
São bêbadas e estéreis.

Engels também se assustou. A bomba derrubou apenas não-combatentes.

Hobsbawm

por Silvio Lourenço, 10/7/2007

Mal.
Começam os atos assim.
Mil triunfos
trituram ratos,
brinca a ciência natural.

Imprevistos triunfam
em mil tragédias
cada uma oferece
duzentos mil sacrifícios.

Esquisito haver esperança
misto à inquietação.

Observam através do orifício dessa última porta.

Quem alcançou a saída para nos ver?