Epígrafe Provisória

"Quanto mais a moda é feia, mais o povo acha bonito" - Juraildes da Cruz

Sons de sim – "Enfeites de cabocla"

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Esquina da Alegria Ausente

Quem chegará
incólume
à esquina da alegria ausente
se todo ano é carnaval?
Cada passo
deixa uma força na avenida
De cada sorriso
vejo um arremedo
do que não é o folião
espatifando. No chão
pisado percebe-se
as iras magoadas
largadas em meio aos repiques
durante os quatro dias
no caminho da esquina
ausente de alegrias.
Quarta-feira é dia
e todas elas se levantam
ajuntam amigas
e correm buscar
seus legítimos donos,
alguns caídos na esquina da alegria ausente,
a última do desfile.
Os rancores nem passam
na candelária encontrar
peito que os abrigue.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Desilusões e Folguedos

>> neste artigo>>

O carnaval passa a imagem de um tempo deslocado da realizade. Para muitos é como se se congelasse todas as desilusões tidas e vividas a fim de se dar lugar aos folguedos próprios dessa época.

Para não afirmar de-liberadamente (!) a grotesca contradição que a sociedade, carreada pela mídia, encena, esboçarei pleonasticamente que olhamos para a dupla face de uma mesma moeda. Que relações há entre a desilusão que viceja e toma conta do sentimento de grande parte das pessoas pensantes, que têm, no mínimo, enorme dificuldade em assimilar a brutalidade e torpeza de fatos como o assassinato do garoto João Hélio, a tragédia da linha 4 do metrô de SP, a queda do boeing da Gol do vôo 1907, mensalões e etc, com a evidente apatia (ou seria algum bloqueio psíquico) para com a realidade enquanto se dá lugar à lassidão catártica dos folguedos carnavalescos?

Ressalto neste espaço a lúcida opinião de minha colega Majô Casarotto, do jornal Destak, em 16/02/2007, para quem quase nada ou nada temos de festejar que justifique tanta alienação.

A arte tem o poder de representar tudo, não só o mundo dito real (existe?) como os mundos imaginados (e também reais porque realizados imageticamente). Assim, por um lado, O vendedor de tristezas estréia a seção contos do caracol, justamente em meio ao carnaval e sua propalada alegria. Será que ainda temos o direito de expressar tristeza e desilução, sobretudo em dias como estes? Esse conto é contribuição de Márcio Cenzi, que estréia no canto do caracol, de quem posso dizer com certeza que proporcionará grande deleite aos nossos leitores. Por outro lado, na seção poemas do caracol, você encontrará os poemas Pendente e Jazzinho I e II, estes com a rubrica de que nem tudo é desilusão...

Já menina da lata é uma indagação pela existência infantil deslocada de seu ideal lúdico, mas pleno de ternura, uma busca como de Oliver Twist.

Para obter acesso aos posts do conto e dos poemas, basta clicar nos links do texto. Boa leitura a todos!